quarta-feira, 27 de setembro de 2023

A contenda

 

O mesmo Adroaldo Frade, do texto anterior, revelou nova façanha, de outro “amigo”. O cenário foi numa cidade do Pará, onde eram raros os motéis, na década de 1980. O referido levou a parceira, de táxi, a um motel.

Dispensado o veículo, o casal foi passando a pé pela portaria, diante de enorme fila de carros, quando as pessoas à espera reclamaram do “fura-fila”. Exigiram que o par entrasse na sua ordem de chegada. Pois bem, a dupla postou-se atrás do último carro, ao relento.

Lá pelas tantas da noite, um veículo retardatário enguiçou, e não conseguia se locomover. O nosso casal prestou ajuda, no empenho de empurrar o emperrado automóvel. Depois de resolvido o impasse, a gerência do motel penalizou-se, oferecendo balinhas e copinhos de água aos que estavam na fila, motorizados ou não.

      Dizem que não há mal que perdure para sempre. O transtorno finalmente acabou, na verdade com considerável atraso, tendo, então, ocorrido a entrada do casal andante em um dos apartamentos do motel, após terrível contenda, embora “outra” estivesse começando... 

= Alfredo Domingos =  

Ah, as emoções!

 

“Manhã auspiciosa acolhia contingente enorme de usuários do motel “Emoções”, bairro da Glória, cidade do Rio. Tudo dentro da confidencialidade e da tranquilidade. De repente, barulhão de tiros, bombas, ..., não sabiam o quê. Poderia ser assalto, inclusive. A curiosidade e o medo tomaram conta. O primeiro casal que chegou à janela gritou:

- Caramba! É um estrondo vindo do Aterro do Flamengo, na direção do Monumento aos “Pracinhas” (vitoriosos soldados brasileiros da 2ª Grande Guerra).

Outro casal, já engajado, acrescentou:

- Gente, são salvas de canhão. Alguma cerimônia militar deve estar acontecendo, no Monumento.

   Pouco a pouco, as janelas foram abrindo-se, e mais pessoas tomando conhecimento.

   Ideias diferentes surgiram, mas as salvas restaram em consenso. Havia fumaça no ar. Motel e Aterro do Flamengo são próximos.

    A coisa tomou vulto, e, em instantes, todos se falavam pelas janelas vizinhas, discutindo sobre o assunto. O que era reservado, em recolhimento, tornou-se papo entre companheiros, ostensivamente. A conversa íntima de travesseiro tornou-se pública e estrondosa.

    Foi revelado que algumas moças trocaram batons. Quer dizer, a situação degringolou. O gran finale foi quando dois casais fizeram brindes com champanhe, no cantinho entre duas janelas.

A gerência, então, deu início ao “toque de recolher”, pelo telefone interno, pedindo que desistissem da exposição.

Por último, um lençol branco foi estendido num dos apartamentos, na fachada do edifício, incitando o simbolismo que permitiu saudar as salvas ou discordar delas, clamar pela paz e louvar o amor.”

Sentado no bar de costume, tendo a minha companhia e a de várias cervejas, o parceiro Adroaldo Frade resolveu contar essa história, que aconteceu com “o amigo do amigo” – vá saber quem, realmente, foi o verdadeiro agente do relato...

Aliás, cabe explicar a origem do sobrenome: o avô de Adroaldo, em Portugal, teria sido Frade, daí o parentesco. Uma dúvida: Frade pode vir a ter neto? Deixe pra lá!...

= Alfredo Domingos =