quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Homenagem à Marinha do Brasil

 Com a semana do Marinheiro aproximando-se, mais precisamente com a comemoração de 13 de dezembro, Dia do Marinheiro, trazemos a honrosa manifestação cultural/popular, que exaltou a valorosa contribuição da Marinha do Brasil à Pátria, por ocasião da Guerra do Paraguai.  

Em 1950, no seu terceiro ano no carnaval carioca, o G.R.E.S. Império Serrano conquistou o tricampeonato do desfile oficial, organizado pela Federação Brasileira de Escolas de Samba (FBES). 

O concurso organizado pela FBES ficou conhecido como "oficial" por obter apoio e subvenção pública da Prefeitura do Distrito Federal do Brasil, até então inexistente. O desfile foi realizado a partir das 20 horas do domingo, dia 19 de fevereiro de 1950, na Avenida Presidente Vargas, antes do Sambódromo da Marquês de Sapucaí

A Escola realizou um desfile sobre a Batalha Naval do Riachuelo, de 11 de junho de 1865, homenageando a Marinha, cujo samba-enredo foi:

“Hoje rendemos homenagem

Aos defensores do Brasil Imperial

Pelo seu exemplo de coragem

Na Batalha Naval

Salve a Marinha de Guerra

Seu passado glórias mil encerra

Tamandaré, Almirante Barroso

Marcílio dias, marinheiro garboso

Bravos heróis

Filhos varonis

Lutaram e tombaram

Em defesa do nosso Brasil.”

 

Notas: 1 - samba dos autores Mano Décio/Penteado/Silas de Oliveira.

         2 - na época desse carnaval, eram comuns os temas históricos, apresentados pelas Escolas de Samba, enaltecendo os nossos vultos.

 

Alfredo Domingos

quarta-feira, 26 de maio de 2021

O circo acabou...

“O circo chegou

Vamos todos até lá

Olha que o circo chegou

Não custa nada você ir até lá

O circo é alegria de viver”

Da obra de Jorge Bem Jor, cujo trecho acima veio nos ajudar, com positividade e encanto, caímos na tristeza pela constatação de que a lona foi dobrada, e está sobre o capim crescido, nas instalações da Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha (Enclo), Praça da Bandeira, Rio de Janeiro.

Ali, funcionava a escola de talentos voltados para a arte circense, com as atuais características, desde 2012. Com a pandemia da Covid-19, o espetáculo calou-se, definido como "aulas suspensas". Sem retorno previsto, segundo informações da mídia, de março de 2021. Tomara que a realidade seja outra!

Vamos “levantar” o circo, picadeiro adequado para a formação de seus profissionais, que oferece valiosa contribuição à sociedade, com diversão e capacitação aos que se interessam pelo ramo.

Que possamos gritar: “Senhoras e senhores, a função vai começar!” Da mesma forma com que o mestre de cerimônias de todo circo dá início à apresentação.

Não deixemos o circo acabar. Queremos trapezistas, malabaristas, mulher barbada, anões gigantes e “lião” sem dente (estes últimos como Jorge tão bem inseriu na sua canção).

Alfredo Domingos

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

 Regresso

Volta ao trabalho presencial - 20/05/2021. De início, bom sinal, que sugere saúde perfeita, para mergulhar no que há mais de um ano ficou adormecido. Vale lembrar-me da expressão batida, porém, com adaptação: levantar a poeira e recomeçar.

Reencontrar os colegas - muito boa sensação! Vê-los em "pé", que beleza!

Vida que segue, diferente, talvez não... A cada dia, fazemos de novo, com pandemia ou sem. A existência se esgueira, por caminhos largos, apertados, ensolarados, sombrios, assim vai, sem bula, papiro ou coisa semelhante. Viver já é uma maravilha! Com tropeços? Sim, claro. Mas levantar, também, faz parte. Cair e levantar, sempre!

Ao rever a minha sala, compreendi que as coisas têm a fotografia do dono e daquilo que se exerce. Comecei a derrubar a saudade dos pertences. Sem pressa! Isto e aquilo, tudo ali. Caramba, como o tempo produz uma nuvem na memória, que se dissipa aos poucos! Não atinamos de como o nosso jeito e trecos ficam marcados.

Li uns papéis, pensei: "escrevi estas bobagens?"

Olhei um objeto no canto, disse pra mim: "jogue isto fora, homem!"

Certamente, não pensaria assim antes da pandemia, mas devemos considerar que nós mudamos no bojo da Covid-19, e mudaríamos, eu acho, de qualquer forma. O passar do tempo e das circunstâncias nos levam para outros modos de entender e encarar situações, locais e objetos. 

A bela camisa do passado, hoje é ridícula.

Um local visitado há anos, de ótimas recordações e muitas fotos, vira um lugarzinho qualquer.

A comida do restaurante tal, tão gostosa há tempos, virou insossa.

Sofremos transformações, e que bom!

Transformar é descobrir oportunidades e visões, boas ou más. Porém, acima de tudo é viver!

Alfredo Domingos


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Presente natalino e a frustração


Em época de compras compulsivas para o último Natal, eu estava pensando em algum presente que verdadeiramente agradasse à esposa.
Rodei pelo shopping, olhando e tendo a sensação de que ela já possuía quase tudo ou não iria gostar de coisa alguma.
Dei trabalho à imaginação: “Isto não”! “Aquilo é feio”! “Aquele outro ela guarda em quantidades absurdas, não”! Ia, assim, numa peleja entre as ideias e a vontade de agradar.
Resolvi verificar em lojas de rua. Percorri várias e não obtive sucesso. Fazia cara feia para todas as opções vistas.
Ao desistir, enfiei-me num carro de aplicativo, meio desolado, num canto do banco traseiro. 
Recebi, então, mensagem da esposa: “Oi, querido! Onde você está?” – fazendo a pergunta clássica.
“Indo para a casa” – respondi sem graça, mas não dizendo o motivo da sem-graceza.
Então, ela fulminou, para o meu total espanto: “Já sei o que você me dará de presente de Natal. Pague o vestido que acabei de comprar, adorei! Repasse o dinheiro para a minha conta bancária e estamos conversados. Beijos e obrigada.”
Caí para trás, afundei-me no banco do carro, ainda bem que estava sentado. Foram por terra as minhas tentativas de bem escolher e de fazer surpresa.
Em seguida, automaticamente, pelo celular, em segundos, transferi a importância. “Caramba! Que coisa prática e frustrante!” – pensei comigo. 
Os tempos são estes. Zás-trás! Apressadamente! Sem romantismo e segredo.
Paisagens passando pela janela do carro e os meus pensamentos também.
Poxa! Nos outros anos, eu cumpria todo um ritual para ter sucesso com o presente.
Inicialmente, era a compra, pós-escolha minuciosa, com o cuidado de pedir à vendedora que fizesse uma bela embalagem, com fita grande, terminando num vistoso laço.
Depois, era o preenchimento do cartão do presente, com frases positivas e elogiosas, expondo desejos para o Natal e o Ano Novo. Esforçava-me para que saíssem palavras caprichadas e de acordo com os meus sentimentos e a época do ano. Fazia praticamente uma retrospectiva dos acontecimentos nossos, de casal, e também de toda a família. Enfim, ficava terminado o cartão, que era cuidadosamente afixado ao presente. Como não fazíamos a brincadeira de “amigo-oculto”, o presente ficava personalizado, com carinho.
Por último nas tarefas, cuidava de esconder o mimo até o momento de colocá-lo ao redor da árvore, para a distribuição. Escondia no meu armário de roupas, entre as calças, ou numa gaveta de cuecas e meias, dificultando o acesso para ela, pois são peças de pouco interesse durante a arrumação semanal. Pensava que surpresa é para ser bem guardada.
Em algumas ocasiões, para divertimento de muita gente, o embrulho ficava amassado, de tão bem guardado, ou melhor, de tão bem enfurnado.
Agora, houve radical mudança. O mistério e a expectativa desmancharam-se.
Em três ou quatro toques no celular, alcançando a conta bancária, o presente fez-se ou desfez-se, vai saber!
Sem cartão, com inspirados dizeres, sem fita, sem esconderijo. Ao contrário, friamente, às escâncaras, de chofre.
Confesso que fiquei tristonho. O que trouxe alívio quanto às minhas providências, sem dúvida, trouxe um vazio.
Comecei a imaginar como seria no momento de dar o presente, em plena noite de vinte e quatro de dezembro. Passaria a cópia da transferência efetuada, resgatada da tela do celular? Pegaria um papel qualquer e escreveria “vale um presente”?
Fui mais além: e a simbologia dos Reis Magos (Baltasar, Belchior e Gaspar), que levaram, fisicamente, valiosos presentes ao Menino-Deus? Claro que não pretendia dar ouro, mirra e incenso, tal como eles, porém, o mote é presentear, mostrar reverência, por meio de objeto que represente valor, nem que seja o valor do apreço, da estima.
Observar alguém abrindo, maravilhado, o presente escolhido por nós, dá uma satisfação muito grande, sem que caiamos na armadilha de esperar receber algo em troca.
Convido, então, a todos que reflitam sobre o estímulo atual de programar tudo para ser o mais simples possível, oferecendo nenhum ou o mínimo de trabalho. A facilidade, agindo negativamente, pode reduzir a importância, retirando a grandiosidade da festa cristã, que é o Natal.
Reconheço que, aqui na Terra, as coisas estão muito loucas. Não há tempo, no tempo. Corremos iguais a baratas tontas, mas... Natal é Natal, com todas as suas particularidades, tradicionais e da fé, indicando que Alguém nasceu e requer comemoração com grandeza, em todos os detalhes.

Alfredo Domingos

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Tem que passar além da dor


Considerando os dois versos do poema de Fernando Pessoa, Mar Portuguez (título original), abaixo transcritos, pus-me a refletir sobre o seu conteúdo:
“Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.”
Há muito que pensar sobre estas rápidas palavras, que simbolizaram a passagem das naus portuguesas pelo Cabo Bojador ou Cabo do Medo, na altura do Saara Ocidental, no caminho para o Oriente. Dizia-se de perigos na travessia. Então, prevaleciam as histórias assustadoras, nas quais os navegadores sofriam desditas nas empreitadas marítimas na região. A primeira passagem pelo acidente geográfico coube a Gil Eanes, em 1434, feito este que se constituiu num marco para Portugal disparar aventuras pelos mares.
Feitas as “considerações iniciais”, vou além. Destacando o segundo verso: “Tem que passar além da dor.”
O verso faz uma convocação especial à superação da dor, dos incômodos.
E é neste aspecto que quero me segurar, sem, porém, afastar-me das “tenebrosas” histórias do Oceano Atlântico (o “Tenebroso”), fazendo link destas com a vida que levamos.
As mirabolantes ações para ultrapassar os medos, os fantasmas, as limitações, as doenças do corpo e da alma, não são tarefas fáceis.
Temos um Bojador pela frente a cada dia. Contornar é preciso, assim como navegar. Se pensarmos detidamente, nem sei se contornar é o verbo adequado, pois enfrentar parece corresponder mais à realidade.
O amanhã sempre é incerto. Deve haver preparo aliado à coragem, para nele chegar auspiciosamente.
Por mais que seja previsto o que irá ocorrer, há diferença entre o planejado e o realizado; sabemos disto. E é bom que seja assim. O inusitado proporciona a esperteza, alavanca iniciativas. O desconhecido aparece para nos testar. Munirmo-nos das armas respectivas, mesmo que repentinamente, é sábia decisão. Enfim, estarmos sempre alertas.
A conquista, finalmente, é o coroamento de muitas lutas, com agentes internos a nós e externos. A peleja é árdua, mas propicia conhecimentos e amadurecimento. A gratidão pelas pequenas conquistas é salutar e robustece a caminhada. Dia a dia surgem novas vitórias. Devemos estar atentos e fortes para dar valor.
Encaremos, portanto, os “Bojadores”, que se apresentarem, sem temor, porque o caminho, não o das Índias (Oriente), mas o caminho para as nossas realizações serão encontrados, com base no empenho, na fé e na esperança.

Alfredo Domingos

terça-feira, 19 de novembro de 2019

150 textos do blog (este é o 151º)


Uma amiga, escritora, confidenciou-me que tem sempre na gaveta, quis dizer diariamente, uma quantidade em torno de 20 textos prontos, aguardando para a postagem. Produz muito!

Comigo ocorre diferente. Sou significativamente mais lento. Elaboro um texto de cada vez, com intervalo de dias. Não me preocupo com a quantidade nem com a periodicidade. Faço quando estou entusiasmado, voltado para escrevinhar. Busco ideias em pesquisas, leituras e até mesmo nas conversas. Um caso passado por alguém pode receber o meu interesse. As pessoas já conhecem o meu jeito e fazem contato para relatar o que viram ou participaram diretamente. Chegam a pedir a minha escrita a respeito. Cobram!

Gosto dessa cobrança. Sinto-me prestigiado. Além de ser facilitado pelo conteúdo transmitido, no momento da execução.

Utilizo uns papeizinhos soltos com anotações. E não é apenas isto. Uso, também, agendas, blocos e cadernetas. Em consequência, possuo um mundo inteiro de material. O escritor nutre-se dessas informações que circulam. Além dos “ingredientes”, há de se ter inspiração. Isto é vital. Não seleciono parte do dia para escrever. Quando acontece, acontece.

Pois bem, com esta introdução aí de cima, estou comemorando os 150 textos do blog. Textos que foram saindo, tais quais as carimbadas em papel alvo. Batem aqui e ali. Vão deixando marcas. Lembranças. Saudades. Comicidade. Sagacidade. Atrevimento. Verdades. Mentirinhas. Coisas de vida. E tantas outras. Devo registrar a inserção de alguns textos de outros autores, que engrandeceram o conteúdo do blog.

Refletir sobre o que foi escrito não dá muito resultado. Saiu e pronto. Cada momento ditou a voga. Cada momento deu a importância devida. Sentir – senti! Gostar – gostei! Parar - não! Irei à frente!

Conto com vocês para a continuidade! Para a eternidade.

Alfredo Domingos
(meu agradecimento a Diego Lopes, com o qual contei aqui no blog, no início das atividades)